Linha do Douro - Vapor / Douro Line - Steam
4th September 2004
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O panorama ferroviário nacional cada vez apresenta menos diversidade, quer em termos de material circulante, quer em termos de operações, quer em termos de paisagem. E quem manda neste país prepara-se para dar uma machadada final no mais belo percurso ferroviário português, o Tua.

Portugal, que no final dos anos 70 tinha uma das mais belas e características redes ferroviárias da Europa (a qual só por si motivou a edição de diversas obras fotográficas por essa Europa fora) conseguiu, por (de)mérito de quem o gere, reduzir a sua via férrea a meia linha de troços, sempre controlados na sua eficiência contabilística.

Curiosamente, enquanto escrevo estas linhas (Junho de 2008), decorre uma partida de futebol, entre a selecção nacional e outro país europeu. As ruas estão silenciosas, silencio este que é interrompido por manifestações de entusiasmo cada vez que a selecção marca um golo (e ainda bem que marca). O uso da bandeirola portuguesa (made in China) disseminou-se. A TVI, noutro dia, orgulhosamente alardeava que 1 milhão de portugueses havia visto o jogo transmitido.

Tanta vontade de pertencer a alguma coisa por parte dos portugueses (que ao que parece se empenham mais nisto do campeonato de futebol que os restantes povos europeus) só se percebe por parte de um povo que se esqueceu das suas raízes. Um povo que só vive concentrado na sua vida actual, agarrado às migalhas de satisfação que essa vida de correria e imediatismo raramente dá. Um povo que se esqueceu da sua identidade, plasmada (entre outras coisas) no património (único) que dispunha.

Talvez o vapor no Douro seja uma manifestação desse imediatismo economicamente auto-sustentado tão característico da sociedade hodierna. O preço de 43 Euros por bilhete para andar no comboio histórico e o (algo despropositado, em meu ver) folclore dispendido na viagem são disso revelação. Património, vende-se e rentabiliza-se... Mas ainda assim, evoca uma época em que Portugal tinha outro pulsar. Em que Portugal tinha gente que pensava de maneira diferente.

E as belas imagens que proporciona ainda merecem esta publicação.

A 186 em grande plano, atravessando a ponte do Tua.
A 186 em grande plano, atravessando a ponte do Tua.
2007-10-06 17:11:58
A linha do Douro presta-se especialmente para a organização de comboios a vapor. A iniciativa é louvável, pena são os elevados preços e a aura folclórica (em detrimento do rigor histórico) que envolve a iniciativa.
A linha do Douro presta-se especialmente para a organização de comboios a vapor. A iniciativa é louvável, pena são os elevados preços e a aura folclórica (em detrimento do rigor histórico) que envolve a iniciativa.
2004-09-04 15:38:00
A paragem no Pinhão é aproveitada para reabastecer os tanques de àgua. Vão tão cheios que chegam a transbordar nas curvas.
A paragem no Pinhão é aproveitada para reabastecer os tanques de àgua. Vão tão cheios que chegam a transbordar nas curvas.
2004-10-30 16:22:35
A todo o vapor...
A todo o vapor...
2004-09-04 15:25:42
A todo o vapor... again.
A todo o vapor... again.
2007-10-06 15:14:58
Aguardando a partida, na Régua.
Aguardando a partida, na Régua.
2007-10-06 13:19:12
Algum (muito) vapor...
Algum (muito) vapor...
2007-10-06 15:44:33
Atravessando a ponte do Tua. O vento é que não estava de feiçao...
Atravessando a ponte do Tua. O vento é que não estava de feiçao...
2007-10-06 17:12:02
Esta cena pertence a outra era.
Esta cena pertence a outra era.
2004-10-30 15:44:35
Esta fotografia foi tirada por um dos maquinistas... os fotógrafos amadores não podem ir na cabina ;-)
Esta fotografia foi tirada por um dos maquinistas... os fotógrafos amadores não podem ir na cabina ;-)
2004-10-30 16:34:07
Este vapor sai dos cilindros para que nele não se acumule àgua durante o período em que a locomotiva se move lentamente, o que poderia levar à destruição do pistão.
Este vapor sai dos cilindros para que nele não se acumule àgua durante o período em que a locomotiva se move lentamente, o que poderia levar à destruição do pistão.
2007-10-06 15:44:33
Há que olear bem as partes móveis, para minimizar o desgaste. Afinal, destas já não se fazem.
Há que olear bem as partes móveis, para minimizar o desgaste. Afinal, destas já não se fazem.
2004-09-04 16:00:08