Eléctricos de Lisboa / Lisbon Trams
5th August 2009
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Foi às 6.00 da manhã do dia 31 de Agosto de 1901 que circulou o primeiro carro eléctrico em serviço comercial nas ruas de Lisboa, na então linha Cais do Sodré – Ribamar, localidade hoje conhecida por Algés.

Desde então, a apesar de a Câmara Municipal de Lisboa ter anunciado, em 1971, que os eléctricos iriam acabar, a verdade é que, teimosamente, os amarelinhos ainda se mantêm por aquela que é cidade que me viu nascer, emprestando-lhe o seu colorido e a sua ronceira pacatez, qual lufada de ar fresco numa Lisboa monotonamente cosmopolita (o que não deixa de ser um paradoxo).

A história dos eléctricos em Lisboa pode plasmar-se numa narrativa fascinante, cujos pormenores sociais, práticos e técnicos fazem a delícia de qualquer amante dos transportes sobre carris.

Tendo sido precedido desde 1895 pelo sistema de transporte em carros americanos (os quais circulavam sobre carris, embora a tracção fosse de origem animal, sendo os ditos uma mera forma de evitar a trepidação causada pela irregularidade das calçadas), o sistema de transportes urbanos de superfície de modo eléctrico de Lisboa chegou a contar com uma rede de 145 kms de extensão, no seu auge, tendo o seu declínio sido anunciado na senda da introdução do metropolitano, em 1965, e a que não foi alheia também a crença que se veio a sedimentar a partir dos anos 50 (e que estranhamente ainda hoje se parece manter) no sentido de os autocarros movidos a combustíveis fósseis serem o meio de transporte que mais se adequava à realidade lisboeta.

Quando os eléctricos foram introduzidos em Lisboa, a electricidade em Portugal ainda não se encontrava amplamente distribuída, sendo, ademais, a iluminação pública das ruas alcançada por intermédio de gás. A electricidade que então se produzia era destinada quase na sua totalidade a fins industriais, e produzida pela própria indústria a que se destinava. Assim, também a companhia de eléctricos lisboetas (com sede em Londres…) produzia a electricidade necessária à circulação dos seus carros, numa enorme central de produção eléctrica movida a carvão sita em Santos.

Tal central, bem como os depósitos de material circulante das Amoreiras e do Arco Cego, não são mais do que memórias nos dias de hoje. Resiste o complexo de Santo Amaro, largamente amputado, o qual mais não representa que uma pequena amostra da actividade e logística que em tempos o transporte em modo eléctrico implicou.

Apesar da ameaça de extinção, os amarelinhos de Lisboa ainda resistem. Ao longo dos anos, existiu uma enorme variedade de material circulante, e a maior parte foi fabricado em Portugal (com excepção das partes eléctricas e mecânicas). As oficinas de Santo Amaro chegaram a atingir um tal grau técnico que lhes era possível, partindo apenas do chassis, fabricar toda a carroçaria dos veículos que calcorreavam as nossas ruas. “Made in Portugal”...

E foi assim que diversas gerações de eléctricos se sucederam, até que chegámos às actuais. Delas se destacam os “remodelados” (série 500), os eléctricos de aspecto antigo que actualmente circulam em serviço regular, que infelizmente, apesar de terem aproveitado a carroçaria (de construção portuguesa) de eléctricos dos anos 30, têm chassis e equipamento de tracção dos anos 90, fabricados na Alemanha, pela casa Kieppe-AEG (e assim tendo rompido uma longa tradição de tracção inglesa e americana).

Felizmente, a Carris possui um belíssimo museu em Santo Amaro, onde as séries mais importantes de material circulante que calcorrearam as ruas alfacinhas se encontram representadas.

Os eléctricos de Lisboa sobreviveram à extinção, e ainda bem que assim foi. Todavia, é minha impressão de que terão subsistido pelas razões erradas: creio que foi o seu imenso potencial turístico, e não as suas vantagens em termos de mobilidade sustentável que os fizeram fugir ao decesso.

Seja como for, uma viagem nos amarelinhos lisboetas num sábado de manhãzinha cedo é uma experiência inolvidável de aproximação com a cidade, com o seu ritmo, e com a sua história, e se a imaginação o permitir, podemos ser transportados a um mundo diferente, um mundo em que os valores não eram vendidos por um punhado de dólares, euros ou escudos, um mundo com Primavera, Verão, Outono e Inverno, um mundo que, parte imaginário e parte ainda real, pode-se-nos apresentar com uma clareza e com um colorido que andam esquecidos nalgum lugar recôndito das nossas mentes.
Ajuda. Carreira 18.
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Assembleia da República. Carreira 28.
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Av. Almirante Reis. Carreira 28.
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Basílica da Estrela. Carreira 28.
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2007-07-06 11:45:45
Basílica da Estrela. Carreiras 25 e 28.
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2007-07-20 19:41:54
Basílica da Estrela. Carreiras 25 e 28.
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Basílica da Estrela. Carreiras 28 e 25.
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Basílica da Estrela. Carreiras 28 e 25.
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Basílica da Estrela. Carreiras 28 e 25.
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Basílica da Estrela. Carreiras 28 e 25.
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Basílica da Estrela. Carreiras 28 e 25.
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Basílica da Estrela. Carreiras 28 e 25.
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