Linha do Oeste/Oeste (West) Line
12th July 2007
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Em 1888 foi concluído e aberto à exploração pública o troço entre Leiria e Figueira da Foz da Linha do Oeste. Assim se concluía, ainda no século XIX, aquele que se supunha vir a ser um dos grandes eixos ferroviários nacionais (potenciado ainda pela Linha da Beira Alta, a ligação da Figueira da Foz, então entendida como um dos grandes portos nacionais, com a Europa).

A construção da Linha do Oeste foi atribuída a Henry Burnay & Cª porém, por contrato de 9 de Maio de 1883 foi a mesma transferida para a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses que acabou por iniciar a sua exploração em 1887, então até Leiria.

A Linha do Oeste, via única não electrificada, constitui uma oportunidade de encontrar, perto de Lisboa, uma linha ferroviária cujas características de exploração e manutenção contrastam vivamente com a modularidade plástico-insípida que se tornou regra no nosso panorama ferroviário. Aqui, a tracção ainda é a diesel (assegurada por automotoras Allan e das séries 450 remodeladas) e as estações, de traço oitocentista, são um deleite para os olhos, com os seus jardins ainda imaculadamente tratados e mobiliário centenário.

Não que a Linha do Oeste não tenha vindo a beneficiar de obras de modernização que a colocaram de acordo com os modernos parâmetros de segurança, designadamente, a total renovação da via, no entanto, merece parabéns a REFER, por ter mantido intacto o carácter gracioso da maioria dos edifícios e outras construções de apoio de uma linha que, só por ele, merece ser visitada.

A Linha do Oeste, como eixo de comunicação, tem natureza multifacetada. Ela é a urbanidade de Meleças, a nobreza de Mafra, a ruralidade da Malveira, o medieval de Óbidos, a praia de São Martinho do Porto, o bulício de Leiria e da Figueira da Foz, a calma termal de Monte Real. Tudo num percurso verde de vegetação, amarelo de areia, lagunar nas imediações de Lares, intermediado por túneis e parapeitos, mas também por planícies, por troços de rectas e por troços de curvas apertadas. Onde se vê a agricultura e a indústria, o campo e as gentes, as cidades e as aldeias. Tudo isto é a Linha do Oeste.

Comecei a fazer a linha do Oeste há mais de dez anos, então era possível embarcar num comboio inter-regional no Cacém cerca das 8 horas e 25 minutos e seguir, sem interrupções, até à Figueira da Foz, onde se chegava por volta do meio dia. O material circulante era por norma uma UTD 600 (das que agora circulam no Douro e no Algarve), que permitia abrir as janelas quando o calor apertava. E também, convenientemente, tirar algumas fotografias enquanto se absorvia o ambiente dos locais atravessados.

Entretanto, o modelo de exploração da linha mudou, e a CP repartiu-a em dois troços: Meleças – Caldas da Rainha e Caldas da Rainha – Figueira da Foz. É preciso mudar de comboio, e sendo que as circulações no segundo troço rareiam. No entanto, com alguma imaginação (e espírito de sacrifício) é possível fazer a linha do Oeste por completo no sentido ascendente e voltar ainda no mesmo dia a Lisboa. Pena é o material circulante: agora, só as plastificadas automotoras remodeladas e com ar condicionado obrigatório… não sei se há quem goste, porque pelo que me apercebi, a maioria dos passageiros parece desaprovar a escolha.

Enfim, apesar de tudo, a linha do Oeste, mais do que centenária, ainda oferece oportunidades fotográficas interessantes, e para tanto aqui fica a colecção, que espero vir a ampliar gradualmente. Pretendendo mais do que mostrar esta interessante obra de engenharia ferroviária, ficarei deveras agraciado se as fotos publicadas despertarem em si, que lê estas linhas, o desejo de a conhecer pessoalmente.
Allan remodelada, nas imediações de uma pequena aldeia (com um excelente restaurante) denominada Gozundeira.
Allan remodelada, nas imediações de uma pequena aldeia (com um excelente restaurante) denominada Gozundeira.
2007-07-05 18:54:47
Apita o comboio...
Apita o comboio...
2007-07-05 18:40:36
Curvas...
Curvas...
2007-06-22 17:02:17
Disto já é raro ver-se. Estação de Mafra. Felicitações à REFER por ter mantido estes deliciosos pormenores.
Disto já é raro ver-se. Estação de Mafra. Felicitações à REFER por ter mantido estes deliciosos pormenores.
2007-06-22 17:45:19
Dois portos. Arquitectura oitocentista.
Dois portos. Arquitectura oitocentista.
2007-07-05 18:24:28
Dois Portos. As palmeiras certamente centenárias ao lado da estação denotam o gosto oitocentista do arranjo do espaço. A vereda que dá acesso à mesma é também dele exemplo.
Dois Portos. As palmeiras certamente centenárias ao lado da estação denotam o gosto oitocentista do arranjo do espaço. A vereda que dá acesso à mesma é também dele exemplo.
2007-07-05 18:41:42
Dois Portos. O regresso ao passado. Será que os telégrafos ainda funcionam???
Dois Portos. O regresso ao passado. Será que os telégrafos ainda funcionam???
2007-07-05 18:32:50
Dois Portos. Pormenores II.
Dois Portos. Pormenores II.
2007-07-05 18:29:38
Dois Portos. Pormenores.
Dois Portos. Pormenores.
2007-07-05 18:29:16
Edificios de outros tempos, na estação de Mafra.
Edificios de outros tempos, na estação de Mafra.
2007-06-22 17:43:34
Esta bucólica entrada para a gare não deixou de me prender a atenção.
Esta bucólica entrada para a gare não deixou de me prender a atenção.
2007-07-05 17:57:05
Estação de Dois Portos. Imponente, fez-me recordar a de Barca d'Alva, essa infelizmente, em muito mais degradante estado.
Estação de Dois Portos. Imponente, fez-me recordar a de Barca d'Alva, essa infelizmente, em muito mais degradante estado.
2007-07-05 18:31:01