A Linha do Sul, durante mais de cem anos, começou no cais de embarque do Terreiro do Paço, onde a ligação era feita não por comboios, mas por navios, primeiramente vapores, em momento posterior movidos a diesel e actualmente catamarãs impulsionados por turbohelices.
Perante as evidentes dificuldades de atravessamento da barreira natural que é o Rio Tejo, optou-se por construir o terminal no Barreiro, sendo que nos tempos iniciais, antes da construção da bela Estação actual em terrenos conquistados ao rio, os passageiros desembarcavam do vapor ainda bastante longe da estação e tinham que - imagine-se - atravessar, carregados de malas de bagagens, terrenos lodosos e pantanosos. Uma aventura, em nome da mobilidade.
A Linha do Sul, a par com a do Douro, foi aquela onde a modernização mais tardou a chegar. No fim dos anos 60 ainda se viam no Barreiro as belas pacific da série 500 (algumas belas fotos podem ser encontradas na obra "Vapeur au Portugal", Marc Dahlstrom). De igual forma manteve a tracção diesel até ao Euro 2004 com ela acabar, sendo o Barreiro conhecido pelos amigos do caminho de ferro como "a catedral do diesel".
E o nome é justo: foi aí que acabaram os seus dias algumas das mais emblemáticas séries de locomotivas a diesel que o nosso país possuiu. Nelas se incluem as fabulosas locomotivas English Electric da série 1800, as Alco da série 1500 (as primeiras locomotivas a diesel de Portugal, que acabaram a traccionar inter-regionais para o Alentejo),e, de certa maneira, as Alhsthom da série 1900 e 1930 (estas ultimas ainda circularam na Linha da Beira Baixa e fazem certos serviços ocasionais, como o comboio azul, entre o Porto e Faro).
A Linha do Sul pode não ser a mais bonita das linhas portuguesas. No entanto, as suas paisagens, verdes lagunares no Sado, amarelas no Alentejo que atravessa, dão-lhe um encanto especial.
Tal como todas as coisas realmente boas da vida, há que aprender a gostar dela.
Aqui vão publicadas algumas fotos de diferentes épocas: desde a maresia dos ferries do Barreiro, ao ronco e força bruta da tracção diesel das 1930's, à velocidade silenciosa e artificial do Alfa Pendular. O mundo em que vivemos muda muito rapidamente, e se essa mudança é o mais das vezes salutar, por vezes o passado deixa saudades.
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A bela fachada do terminal do Barreiro, construído em terrenos conquistados ao rio para fazer a interface entre navios e comboios. Acabou com a travassia do pântano, a que antes estavam sujeitos os viajantes que de Lisboa se dirigiam ao Sul. 2003-07-26 19:26:35 |
A linha do sul a 220 Km/hora. Sensação estranha. 2005-08-19 18:20:55 |
A locomotiva da série 1930 faz-se ouvir pelas planícies alentejanas, rebocando uma pesada carga de minério vindo de Neves Corvo. 2006-04-17 13:15:30 |
A paisagem lagunar do Sado. Não é só no norte que a beleza natural se aprecia de uma janela de comboio. 2004-05-30 09:28:15 |
A vista do interior de numa Sorefame, antes da partida do IR para Faro. Irrepetível. 2004-05-30 08:52:16 |
Alcácer do Sal. Tracção diesel, com catenária já a anunciar novos tempos. 2004-05-30 09:51:25 |
Ao contrário do que possa parecer lógico, a linha do sul é muito pouco plana. E no tempo do vapor, as subidas implicavam um gasto superior de àgua. Este depósito solitário no alto de uma delas, ficou como testemunho de uma era que existiu e desapareceu. 2004-05-30 11:30:30 |
Após a passagem pela baixa de Alcácer do Sal, a 1939 faz ecoar o seu ronco por estas paragens, ao puxar a composição nesta íngreme subida. 2004-05-30 10:19:03 |
Azul e verde intensos. O Sado traz vida às àreas circundantes. 2004-05-30 09:42:08 |
Barreiro. Catedral do Diesel. 2004-05-30 08:40:48 |
Barreiro. No comments. 2003-07-26 19:27:08 |
É Verão, e o Intercidades Faro-Oriente vem grandito... quase não há espaço na Funcheira para o acomodar. 2006-08-01 15:35:00 |
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